
Deputado Mário Frias é alvo de investigação por suposto desvio de emendas para financiar cinebiografia de Bolsonaro (Foto: Instagram)
As investigações abertas pelos órgãos de segurança pública indicam que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) atua como agente central em um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais, com o objetivo de sustentar financeiramente o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Documentos da Polícia Civil de São Paulo, cujo sigilo foi levantado pelo STF, revelam inconsistências nas movimentações financeiras e apontam possíveis vínculos com grupos do crime organizado, levantando suspeitas sobre o uso indevido de recursos públicos em benefício de produções artísticas.
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A apuração começou em São Paulo, quando autoridades rastrearam o destino de verbas repassadas a ONGs. Documentos iniciais mostraram que as entidades beneficiárias mantinham relações com a produção de Dark Horse e apresentavam contratos suspeitos, motivando pedidos de quebra de sigilo de celulares, computadores e arquivos para confirmar as suspeitas e mapear o suposto esquema de fraude.
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Conforme o inquérito, Frias teria destinado aproximadamente R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela produtora Karina da Gama. Esses valores, inicialmente voltados a projetos sociais como Jovem Empreendedor e Lutando pela Vida, apresentaram indícios de execução irregular, com divergências nos relatórios de atividades e ausência de comprovação de despesas compatíveis com os objetivos declarados.
O ICB também aparece na investigação por supostamente transferir parte dos recursos à Go Up, produtora de Dark Horse. Além disso, a Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade de Karina da Gama, recebeu cerca de R$ 2,6 milhões para uma série documental, mas enfrentou problemas com direitos autorais e falta de comprovação das atividades previstas.
No domingo (13), o ministro Flávio Dino, do STF, ordenou o levantamento do sigilo dos documentos da Polícia Civil paulista, determinando o compartilhamento dos dados coletados em aparelhos eletrônicos e papéis apreendidos. Entre as informações, constam indícios de conexão entre as empresas envolvidas no suposto esquema e grupos do crime organizado, inclusive possível vínculo com o PCC.
A Polícia Federal intensificou as ações em 10 de setembro com uma operação que cumpriu 49 mandados de busca e apreensão relacionados ao financiamento do filme. A ação alcançou endereços ligados a Frias, a Karina da Gama e a outros suspeitos apontados pelos investigadores como beneficiários diretos do desvio de recursos.
O deputado Mário Frias nega qualquer irregularidade e afirma que a operação tem caráter persecutório, visando abalar sua reputação e atuação política. Em nota, ele ressaltou que todas as emendas destinavam-se exclusivamente a projetos sociais aprovados pelo Legislativo e que as suspeitas decorrem de uma leitura equivocada dos procedimentos adotados.






