Tarcísio afirma que STF está dividido em dois grupos em busca de autoproteção

Posted by

–


Tarcísio critica divisão do STF e cobra transparência (Foto: Instagram)

Durante visita às obras do Hospital Regional de Itapetininga, no interior paulista, na quinta-feira (17), o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) está dividido em dois blocos que buscam autoproteção. Segundo ele, a Corte precisa superar as disputas internas e agir com transparência na apuração de denúncias, fornecendo respostas objetivas à sociedade sobre o funcionamento e a credibilidade do tribunal.

++ Elize Matsunaga: Carro do crime agora tem novo dono e acumula várias dívidas

Na sessão de terça-feira (15), os ministros analisaram a possibilidade de abrir investigação sobre as possíveis ligações do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O ponto central foi definir se esse processo deveria tramitar em conjunto com as suspeitas de irregularidades envolvendo o ministro André Mendonça. A discussão de ordem mostrou a divisão interna quanto ao formato e ao rito do julgamento, refletindo divergências sobre a condução dos trabalhos.

++ Fiji enfrenta surto acelerado de HIV impulsionado pelo uso de metanfetamina

Durante o julgamento, o ministro Flávio Dino solicitou vista dos autos, suspendendo momentaneamente os trabalhos quando o placar estava em 4 a 3 favorável à análise separada dos casos. Na quinta-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, optou por retirar da pauta o caso de André Mendonça, originalmente previsto para ser examinado no dia 23. Com essa decisão, o tribunal adiou mais uma vez o prosseguimento da apuração, gerando críticas sobre a falta de celeridade e transparência.

Tarcísio de Freitas criticou duramente a atuação da Corte, afirmando que “não dá para a sociedade imaginar ou admitir que o Supremo agora vá se dividir para se proteger”. Para ele, a formação desses dois times internos compromete a imagem do tribunal e afeta sua legitimidade. Ele ressaltou que os ministros devem recuperar a postura de juízes, acima de divergências políticas, e trabalhar em conjunto para restaurar a confiança pública no Judiciário.

O governador questionou ainda por que magistrados não poderiam ser investigados ou não teriam a obrigação de prestar contas, argumentando que “todo mundo tem que prestar contas”. Segundo Tarcísio, essa postura de exceção alimenta a sensação de impunidade e agrava a crise institucional. Na avaliação dele, o Judiciário brasileiro “está sangrando” diante de um quadro de controvérsias sem precedentes, o que exige um posicionamento firme dos líderes da Corte.

Ele também elogiou a manifestação da ministra Cármen Lúcia, que considerou uma síntese do que ocorreu na sessão de terça-feira, e pediu que Edson Fachin exerça sua função com sabedoria para conduzir o tribunal neste momento delicado. Tarcísio destacou ainda que o mercado financeiro já precifica um “risco STF” em suas projeções, comparável ao risco fiscal, e alertou para o cenário de insegurança jurídica que se instala quando o próprio Supremo não garante a estabilidade das regras.