
Manifestante venezuelano carrega bandeira nacional diante de detentos observando atrás das grades (Foto: Instagram)
O governo interino da Venezuela e lideranças da oposição reiteraram na quarta-feira (21) a disposição de organizar eleições presidenciais sob a mediação de Washington, segundo informações divulgadas ao término da terceira rodada de negociações. As conversas ocorreram no mesmo dia em que as partes reafirmaram o compromisso de avançar no cronograma eleitoral, mantendo viva a expectativa de um pleito que recupere a confiança popular no processo democrático.
As negociações tiveram início em agosto, após uma operação militar norte-americana em janeiro que resultou na captura de Nicolás Maduro. O terceiro ciclo de diálogo foi aberto na semana passada, quando os Estados Unidos suspenderam as sanções contra Jorge Rodríguez, principal negociador do governo e irmão da presidente interina Delcy Rodríguez. As partes acordaram trabalhar em um calendário que aponte o fim de 2027 ou o início de 2028 para as eleições, além de restabelecer garantias democráticas e revisar a inabilitação política de opositores.
Em entrevista coletiva, Dinorah Figuera, chefe da delegação oposicionista, afirmou que existe “vontade política” de todos os envolvidos para realizar o pleito. Ela acrescentou que, em conversas anteriores, o secretário de Estado Marco Rubio destacou que o governo do presidente Donald Trump quer “deixar um país democrático, um país que desfrute de instituições e um país que tenha (…) eleições” na Venezuela. Figuera não definiu uma data exata, mas disse ao jornal El Nacional esperar que o pleito ocorra “pelo menos no final do próximo ano ou no início de 2028”.
O partido de María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e principal voz da oposição, exige a realização de eleições já em 2027. A legenda convocou uma marcha em diversas cidades do país para esta quinta-feira com a mesma reivindicação e pede a revogação imediata da inabilitação política que impediu Machado de concorrer em 2024.
Segundo relato de uma ex-magistrada do Tribunal Supremo de Justiça, ela foi coagida a assinar, em 2023, a suspensão dos direitos políticos de Machado porque seus irmãos e sua cunhada estavam detidos. Na mesa de diálogo, também ficou acertada a revisão de leis para restaurar as liberdades dos partidos políticos e reanalisar os processos de inabilitação de opositores barrados nas cédulas eleitorais.
Maduro havia declarado vitória nas eleições de julho de 2024, garantindo um terceiro mandato com previsão de término em 2031, antes de ser capturado pelos Estados Unidos. Delcy Rodríguez, que assumiu a Presidência interina após a queda de Maduro e governa sob forte pressão de Washington, prometeu em setembro que haverá eleições, mas ainda não definiu um calendário definitivo.






