Argentina: Justiça determina suspensão das atividades de petrolíferas nas Ilhas Malvinas

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Vista aérea da capital Stanley, nas Ilhas Malvinas, alvo de disputa pela exploração de petróleo. (Foto: Instagram)

Na quarta-feira (16), a Justiça argentina expediu uma ordem para que as empresas Rockhopper Exploration e Navitas Petroleum interrompam o desenvolvimento de um campo de petróleo em águas profundas nas Ilhas Malvinas. A decisão ocorre em um momento de tensão crescente entre Argentina e Reino Unido pela soberania do arquipélago, potencialmente agravando o impasse sobre a exploração de recursos naturais na região.

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A medida cautelar foi concedida pela juíza federal Mariel Borruto, da província de Tierra del Fuego, atendendo a um pedido de ambientalistas e de ex-combatentes argentinos da Guerra das Malvinas. No entendimento da magistrada, há risco de danos ambientais e desrespeito à legislação nacional, justificando a suspensão imediata de qualquer atividade ligada ao projeto.

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As empresas envolvidas são a britânica Rockhopper Exploration e a israelense Navitas Petroleum, responsáveis pelo desenvolvimento do campo Sea Lion, licenciado pelas autoridades britânicas nas Malvinas. Localizado a centenas de quilômetros da costa argentina, o empreendimento previa perfurações em águas profundas. No despacho, a juíza exige que ambas “se abstenham de iniciar, continuar, executar ou fazer executar atos materiais” relativos ao projeto, conforme consta em documento obtido pela Associated Press.

A decisão é de caráter preventivo e se dá após o presidente argentino, Javier Milei, anunciar a criação de uma base naval em Tierra del Fuego — território continental mais próximo ao arquipélago — e encaminhar ao Congresso um projeto de lei para endurecer sanções contra empresas nacionais e estrangeiras que atuem nas Ilhas Malvinas. As iniciativas representam uma postura mais firme de Buenos Aires na disputa pela região.

A questão da soberania das Ilhas Malvinas remonta ao século XIX, quando o Reino Unido assumiu o controle em 1833. Em 1982, Argentina e Reino Unido travaram a Guerra das Malvinas, conflito que terminou com a derrota argentina e o estabelecimento definitivo de uma administração britânica. Desde então, o tema segue como foco de disputas diplomáticas, envolvendo reivindicações territoriais e a exploração de petróleo e gás no Atlântico Sul.

Especialistas alertam que a suspensão pode atrasar projetos de exploração energética, afetar investimentos estrangeiros e gerar novas tensões diplomáticas com Londres. A reação do governo do Reino Unido e das próprias petrolíferas a essa decisão judicial ainda será observada nos próximos dias, em meio a possíveis recursos legais e negociações entre os dois países.